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Quanto rende um imóvel de temporada em Vila Velha: o cálculo real

7 min de leitura
Laptop com painel de gráficos de desempenho, calculadora e relatório impresso de imóvel sobre a mesa, ao lado da marca RoomES, ilustrando o cálculo de rentabilidade de um imóvel de temporada

Não existe um número único. Quem procura saber quanto rende um imóvel de temporada costuma receber uma resposta vaga ("rende o dobro do tradicional") ou um número bonito que ignora metade dos custos. O resultado depende de três variáveis: a diária média que o imóvel sustenta, quantas noites ele fica ocupado no ano e quanto da receita bruta sobra depois dos custos e do imposto.

Para dar uma ordem de grandeza: um apartamento de 1 quarto bem localizado em Vila Velha, operado o ano inteiro, costuma gerar receita bruta entre 10% e 13% do valor do imóvel ao ano. Depois de plataforma, limpeza, consumo, condomínio, IPTU, manutenção, gestão e imposto, a sobra líquida fica bem abaixo disso. São estimativas apoiadas nas premissas explicitadas ao longo do texto, não promessa de retorno.

A fórmula da receita bruta é simples, diária média x noites ocupadas no ano, e o erro comum é parar aí. A diária de Réveillon vale para poucas semanas, e cada noite ocupada carrega custos que o aluguel tradicional não tem. Abaixo está a conta completa, linha a linha, e a comparação com o aluguel residencial tradicional.

Ponto de partida: quanto vale a diária em Vila Velha

As faixas abaixo são as que observamos no mercado regional, detalhadas no post sobre aluguel por temporada em Vila Velha. Valem para apartamentos de 1 quarto próximos à orla e são estimativas, não tabela fixa.

PeríodoFaixa de diária (1 quarto)
Baixa temporada (março a junho, agosto a novembro)R$ 250 a R$ 400
Média temporada (julho e feriados prolongados)R$ 350 a R$ 550
Dezembro antes do NatalR$ 400 a R$ 600
CarnavalR$ 500 a R$ 900
Réveillon e primeira quinzena de janeiroR$ 700 a R$ 1.200

Para o cálculo anual, o que interessa é a diária média ponderada pelas noites vendidas em cada período, e não o pico. Em um imóvel de 1 quarto na orla de Vila Velha, essa média costuma ficar perto de R$ 380.

Taxa de ocupação: a variável que decide o resultado

Ocupação é o que mais separa um imóvel que dá resultado de um que apenas empata. Vila Velha tem sazonalidade forte, concentrada entre dezembro e fevereiro, mas recebe fluxo de negócios e estadias médias no restante do ano, o que sustenta a baixa temporada melhor que destinos puramente sazonais. Trabalhe com cenários, nunca com um número único:

  • Conservador: 40%, cerca de 146 noites por ano. Imóvel novo no mercado, sem avaliações e sem precificação ativa.
  • Realista: 55%, cerca de 200 noites por ano. Anúncio maduro, boas fotos, avaliações acumuladas e gestão de preço.
  • Otimista: 65%, cerca de 237 noites por ano. Exige localização forte, preço agressivo na baixa e disponibilidade integral.

Os três cenários são premissas de cálculo, não previsão de desempenho.

Os custos que saem da receita

Esta é a parte que a maioria das simulações omite. Na temporada, o proprietário assume despesas que no tradicional são do inquilino.

  1. Comissão de plataforma. No Airbnb, o modelo dividido cobra 4% do anfitrião no Brasil e o de taxa única cobra 16%. Outros canais têm percentuais próprios, e a reserva direta reduz esse custo.
  2. Limpeza e enxoval. Incide por check-out, não por mês. Quanto menor a estadia média, mais vezes aparece.
  3. Consumo. Energia, água, gás e internet ficam com o proprietário.
  4. Condomínio e IPTU. Continuam existindo, ocupado ou vazio.
  5. Manutenção e reposição. Rotatividade alta desgasta colchão, enxoval, eletrodomésticos e pintura.
  6. Gestão. Na Roomes, a taxa de administração começa em 5% sobre a receita, conforme a página de gestão de imóveis.
  7. Imposto de renda. Aluguel recebido de pessoa física entra no carnê-leão, pela tabela progressiva, com alíquota máxima de 27,5% em 2026.

O imposto é o custo que mais se paga por desatenção

A linha do imposto é diferente das outras. As demais dependem do imóvel. Essa depende de como a operação está estruturada e declarada.

A pessoa física que recebe aluguel de pessoa física apura pelo carnê-leão, na tabela progressiva, e chega a 27,5% na faixa superior. A Receita Federal admite deduzir desse rendimento, quando o encargo for exclusivamente do locador, os impostos e taxas sobre o bem, as despesas de condomínio e as de cobrança. Limpeza, enxoval, consumo e manutenção não entram. Na prática, o proprietário recolhe imposto sobre uma receita que já gastou para produzir, e costuma descobrir isso depois de um ano de operação.

Existem caminhos legítimos para tratar melhor essa conta: usar corretamente as deduções admitidas, avaliar sob qual estrutura a atividade é exercida e manter a documentação que sustenta cada dedução em caso de fiscalização. Nenhum é automático, e a escolha errada custa mais caro que o imposto que se queria economizar.

Por isso a Roomes não deixa esse ponto por conta do acaso. Encaminhamos os proprietários sob nossa gestão à Consead, consultoria e contabilidade sediada em Vitória, para diagnóstico tributário e enquadramento do caso concreto. A proposta não é pagar menos imposto a qualquer preço, é pagar o imposto correto, com respaldo documental. Quem terceiriza a gestão para ganhar tempo tem pouco motivo para improvisar a tributação sozinho.

Simulação linha a linha

Exemplo ilustrativo: apartamento de 1 quarto na orla de Vila Velha, valor de mercado estimado em R$ 650.000, diária média de R$ 380, ocupação de 55% (200 noites) e estadia média de 4 noites.

LinhaValor anual
Receita bruta (R$ 380 x 200 noites)R$ 76.000
Comissão de canais (mix, 10%)R$ 7.600
Limpeza (50 estadias x R$ 150)R$ 7.500
Consumo (R$ 450/mês)R$ 5.400
Condomínio (R$ 700/mês)R$ 8.400
IPTUR$ 1.800
Manutenção e reposição (5% da receita)R$ 3.800
Gestão (5% da receita)R$ 3.800
Resultado antes do impostoR$ 37.700
Imposto de renda estimadoR$ 5.100
Resultado líquido estimadoR$ 32.600

Isso equivale a cerca de R$ 2.700 por mês e a aproximadamente 5,0% ao ano sobre o valor do imóvel. Troque a ocupação para 40% e o líquido cai para perto de 3% ao ano. Mude o condomínio ou a diária e o número muda de novo. Nenhuma faixa genérica substitui a simulação da sua unidade.

Temporada ou aluguel tradicional: a comparação honesta

Segundo o Índice FipeZap de locação residencial de agosto de 2026, o retorno médio do aluguel residencial nas cidades monitoradas foi estimado em 6,14% ao ano, e Vitória apareceu com 4,27% ao ano, uma das menores do levantamento. O dado se refere ao aluguel bruto, sem descontar vacância, administração, manutenção e imposto. A comparação correta, portanto, é bruto contra bruto e líquido contra líquido.

CritérioTemporadaTradicional
Receita bruta anual estimada10% a 13% do valor do imóvelCerca de 4,3% na referência de Vitória
Retorno líquido estimado3% a 5,5% ao ano3% a 3,5% ao ano
PrevisibilidadeBaixa, sazonalAlta, contrato mensal
Esforço de gestãoIntenso e diárioBaixo
Desgaste do imóvelAltoModerado
Risco de vacânciaDiluído em várias reservasConcentrado em um inquilino
Uso próprioPossível nos períodos livresInviável durante o contrato
InadimplênciaQuase nula, pagamento antecipadoRisco real, despejo demorado

A temporada tem potencial de retorno líquido superior, mas não por larga margem depois de todos os custos, e cobra esse prêmio em trabalho e volatilidade. Se o imóvel está mal localizado, mal equipado ou em condomínio que restringe hospedagem de curta duração, pode render menos que o aluguel tradicional.

Como descobrir o número do seu imóvel

Antes de decidir, levante estes dados:

  • Valor de mercado atual da unidade.
  • Condomínio e IPTU mensais.
  • Capacidade de hóspedes e número de quartos.
  • Distância até a areia, andar e presença de vaga.
  • Regras do condomínio sobre locação por temporada.
  • Estado de ar-condicionado, colchão, enxoval e internet.

Os três últimos costumam ser decisivos. Um imóvel que precisa de preparação para locação entra na operação com diária abaixo do potencial.

Se quiser a projeção da sua unidade em vez de uma média de mercado, peça a avaliação gratuita. Analisamos imóveis comparáveis em Vila Velha e devolvemos a estimativa de receita e custos, sem compromisso.

Perguntas frequentes

Quanto rende um apartamento de temporada por mês em Vila Velha?
Depende da ocupação e da diária. No cenário simulado no post, com 55% de ocupação e diária média de R$ 380, o líquido estimado foi de cerca de R$ 2.700 por mês. Com 40% de ocupação, cai de forma relevante. São estimativas, não garantia de receita.
Aluguel por temporada rende mais que aluguel tradicional?
Em receita bruta, quase sempre sim. Em receita líquida, a diferença é menor e não é automática. Depende da localização, do imóvel, da sazonalidade e da eficiência da operação.
Quais custos o proprietário assume no aluguel por temporada?
Comissão de canais, limpeza e enxoval por estadia, energia, água, gás, internet, condomínio, IPTU, manutenção, reposição, gestão e imposto de renda.
Preciso pagar imposto sobre a receita de temporada?
Sim. Rendimentos de locação recebidos de pessoa física estão sujeitos ao carnê-leão, com apuração mensal pela tabela progressiva do IRPF, que chega a 27,5%. Algumas despesas, como IPTU e condomínio a cargo do locador, são dedutíveis, mas custos operacionais como limpeza e consumo não são. Proprietários sob gestão Roomes contam com o apoio da Consead para o diagnóstico tributário do caso concreto.
O condomínio pode proibir aluguel por temporada?
Restrições desse tipo aparecem em convenções condominiais e são tema recorrente de disputa judicial. Verifique a convenção do seu condomínio e, na dúvida, consulte um advogado antes de adaptar o imóvel.
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